E ele estava lá. Parado. Inexpressivo e vazio. Luzes ao seu redor. Pessoas sem rostos iam e vinham, regidas pelo incessante tic tac. Era um sonho? Não, era uma realidade já vivenciada em minha mente. Melhor denomina-la como "pesadelo" talvez. Tempo, espaço e descrições mais precisas, falha-me a memória. Mas o foco sempre foi ele. Vestido com seus trajes obscuros, sua pele translúcida e a excitante aparência grotesca. Até hoje sinto seu perfume em dias solitários. Seu toque me guiava. O jeito com que podia (ainda posso?) sentir seus lábios nos meus, mesmo que a quilômetros de distância. A sensação de que ele estava ao meu lado em cada instante, seguindo-me, protegendo-me. O desejo de ter aquela alma para mim, de acorrentá-la. Doentio, eu sei. Mas EU era apenas "eu" quando segurava aquela mão reconfortante.
Vivenciados os momentos de êxtase, abri meus olhos para a dolorosa claridade. Invadida por medos inconcebíveis, me afastei das harmoniosas sombras. Não sei como, nem em que estágio de lucidez a distância se tornou verdadeira. Perceptível, ela só foi no último suspiro. Vê-lo ir embora rasgou-me em milhares de pedaços. O pior é saber que fui eu quem o repeliu. Perdi-me em incansáveis questionamentos. Minhas crenças foram queimadas, minha fé se extinguiu.
Hoje, ainda o guardo na gaveta e tenho seu coração pendurado em meu pescoço. Relembro as frases silenciosas, as danças de promessas, as páginas que jamais foram escritas. Mas o conto de fadas teve seu devido fim. Contento-me com aqueles poucos dias de felicidade e nos anos que passei revivendo-os. Lembranças criadas são eternas e inalteráveis.

Adorei, Principalmente o Titulo Bianca *.*
ResponderExcluirAl penssamento apenás,ainda estou aqui.Te Amo,e sempre Te Amarei.
ResponderExcluirBianca, seus posts são realmente muito bons. Admiro muito a sua inteligência, parabéns por ser assim!
ResponderExcluirAh, obrigada! Volte sempre, por favor.
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